Caros amigos, leitores, amores platônicos, haters e quem mais ainda acredita que o algoritmo do Insta tem coração: perdi minha conta.
Não apenas uma, mas duas vezes seguidas.

Não por violar diretrizes. Não por protagonizar uma discussão épica numa live. Apenas — pluft — desapareceu! Como uma edição de setembro da Vogue que some da banca da Olívia antes mesmo de você conseguir comprá-la. Ou como um crush que jurou ligar para marcar um date regado a um bom vinho na Vima, mas nunca enviou sequer uma mensagem.

O Instagram simplesmente decidiu que eu não existo mais.

E por quê? Deus — e Mark Zuckerberg — é que sabem. Mas, como todo bom neurótico que sobrevive aos relacionamentos fadados ao absurdo do cotidiano e ao caos da modernidade, eu me reergo. Não com um novo perfil, mas com um novo começo, longe das redes sociais e de diretrizes tão misteriosas quanto arbitrárias, escritas em algum lugar que só os algoritmos parecem conhecer.

Desta vez, volto repaginado.

Volto como quem troca, depois de anos, um tênis esportivo por um mocassim italiano de camurça. Volto com uma página inteirinha em branco e, sobretudo, sem limite de caracteres para escrever sobre acontecimentos ridiculamente comuns que despencam nos meus dias mais banais e também nos extraordinários: quando, enfim, eu for aprovado em um concurso que não me roube mais um fio da minha dignidade ou quando receber as chaves do meu apartamento novo.

Porque eu até posso perder uma conta — ou duas. Mas perder a chance de transformar minhas neuroses em pequenas crônicas? Jamais.

E, pensando bem… será que eu realmente perdi um perfil? Ou ele apenas me deu a desculpa perfeita para recomeçar em outro lugar, onde eu pudesse ser mais eu mesmo? Sem um novo login, mas com praticamente os mesmos dramas.

Foi assim que resolvi resgatar um velho hábito dos anos 2000 e voltei a escrever um diário na internet. Talvez o algoritmo não tenha fechado uma porta. Talvez só tenha me empurrado para um lugar onde as palavras finalmente coubessem.